O cordel é valorizado como expressão poética de alta significação por escritores do porte de Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Mario de Andrade, João Cabral de Melo Neto, motivando (e continua a motivar) estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História, entre outras.
O objetivo geral do Projeto Literatura Popular em Versos na Casa de Rui Barbosa é a preservação, conservação e disponibilização dessa coleção única no mundo.
Acesse o link : http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/apresentacao.html
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
O diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra.
Referência bibliográfica:
FILIPOVIC, Zlata. O diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra. trad.: SOARES, Antônio de Macedo; JAHN, Heloísa. Prefácio: SERVA, Leão.SP: Cia das Letras. 1994. ISBN: 85-7164.384-9.
A leitura do diário de Zlata foi muito gratificante, pois se tratou do depoimento inocente de uma menina que vai para a quinta série, então com 11 anos e a constatação abrupta de uma guerra civil eclodindo na Bósnia(ex-Iugoslávia), país onde nasceu e vive.
O prefácio do livro é assinado por um correspondente que, situa politica e historicamente o confronto. Ele ressalta sua admiração na rápida adaptação das crianças, após estes tempos tão turbulentos (força, coragem e superação).
Destaca alguns nomes de familiares e amigos de Zlata e constrói um pequeno vocabulário servo-croata.
O diário se inicia em 02 de setembro de 1991 e termina em 1993.
O cotidiano de Zlata é, paulatinamente, modificado com a aproximação dos confrontos.
A necessidade de mudanças traz a valorização, ainda maior, da família e de seus amigos. A sociedade a que Zlata pertence é bastante politizada. A cultura local é muito rica e tradicional, fazendo com que a menina participe de eventos familiares bem demarcados.
Sua rotina antes da guerra é delineada por aulas das disciplinas ministradas na quinta série e também, de piano e solfejo, tênis, inglês, coral e tecnologia. A família de classe média possui uma casa de campo, onde Zlata passa as férias.
Quando seu pai é convocado para uma unidade de reserva da polícia, inicia-se uma grande tensão.
Zlata mantém a escrita de seu diário durante todo o confronto com periodicidade irregular, houve dias em que escrever era impossível, devido às difíceis condições materiais, a que chegou a família.
O cerco vai se fechando sobre Sarajevo e as pessoas começam a fugir para outras localidades e países.
Em 1992 Zlata não pode mais ir às aulas e seus pais interrompem a ida ao trabalho, verifica-se uma corrida para o abastecimento da casa, com o intuito de que não falte mantimentos no perído mais agressivo. A família se transfere para o porão, onde se alojam com alguns pertences mais necessários. Os militares destroem todo o patrimônio cultural edificado da cidade: praças, bibliotecas, igrejas, a vila olímpica.
Uma das filhas do vizinho vai morar com a família de Zlata (que é filha única).
A eletricidade é cortada e a família fica sem a geladeira para conservar os alimentos, eles fazem um banquete para que os alimentos não se deteriorem, porém fica a incerteza se conseguirão alimentação, para a próxima semana. A comida se torna escassa, o barulho de trovões evidencia a proximidade dos canhões.
Chegam informações de que a casa de campo da família, com quase 150 anos de histórias, é destruída e os vizinhos são mortos.
Zlata diz em seu diário: "sou uma criança de guerra, sem escola e sem poder me locomover, sem sol, sem natureza e sem infância, trancada numa gaiola."
A Ajuda Humanitária das Nações Unidas é que auxilia a família em sua sobrevivência, juntamente com milhares de outras.
Zlata fica quatro meses sem ver os avós, que moram em outra localidade.
Sabendo da existência dos diários das crianças, a Unicef inicia levantamento para a publicação de um deles, Zlata é escolhida.
Acontece o corte de árvores centenárias, para fazer o aquecimento dos ambientes, Zlata completa doze anos e só deseja PAZ.
Seu diário é publicado em 1993 e as cartas são as únicas possibilidades de comunicação entre os parentes.
É um relato sofrido, mas evidencia a força e a superação de uma família unida em condições desfavoráveis.
Eu recomendo a todos.
Abraços
Adriane
sábado, 3 de dezembro de 2011
Diário de Bordo - 24 ago. 2011 - Intercâmbio das experiências de leituras
A prof. Conceição fez um fechamento das apresentações sobre as memórias de leituras iniciais da turma e apresentou um resumo sobre a leitura contemporânea.
Na sociedade grega, a inserção da criança era efetivada de forma integral, ou seja, desde muito cedo as crianças eram incentivadas em seu desenvolvimento físico, intelectual e político.
Elas praticavam habilidades e dons que evidenciariam os seus potenciais, para que tomássem consciência de sua posição no grupo e viéssem a ser cidadãos dinâmicos e participativos.
A leitura deveria ser incentivada e exemplificada pelos pais, já no útero materno, onde através da entonação de voz do adulto, a criança já capte sentimentos literários diferenciados, que será a base para o seu futuro letramento.
A presença feminina na responsabilidade em prover o lar vem aumentando em nossa sociedade atual, isto garante a mulher uma participação mais efetiva na educação dos filhos, por exemplo.
Fato que pode ser comprovado na análise dos relatos feitos em sala, onde dos 30 apresentados como fonte de motivação para o início do gosto pela leitura a família, 13 deles foram indicadas as presenças das mães e das tias como incentivadoras no processo inicial de leitura.
Quando as mães não podem ocupar esta responsabilidade, elas delegam às avós tal empreitada.
A leitura feita por homens e mulheres, no passado, foi bastante modificada, pois, à mulher era permitido fazer leituras concernentes a casa (ou ao lar) e ao homem cabia assuntos relativos ao mundo e às ciências.
A leitura de homens e mulheres, hoje, é bastante diversificada.
No âmbito dos suportes de leitura, as modificações são ainda mais drásticas, pois do papiro para o códex, do manuscrito para a impressão e agora, a leitura em tela digital vão trazendo mudanças no olhar do sujeito leitor.
A relação afetiva com o objeto livro, ainda causa estranhamento ao leitor, quando da visualização e entendimento junto ao suporte digital, principalmente no equilíbrio da utilização dos suportes digitais.
A cada novo hardware ou software apresentado, somos forçados a aprender novas modalidades de habilidades e desenvolver novo conjunto de cognições, com a finalidade de efetivarmos nossas atividades com eficiência.
Segundo o prof. Eugênio Trivinho da PUC-SP, vivemos numa dromocracia, em que a rapidez é mola propulsora de nossas relações com a sociedade em que estamos inseridos e a obsolescência contínua das tecnologias e equipamentos é parte integrante desta engrenagem.
Mas a coexistência pacífica entre a leitura sensorial do livro, objeto colorido, divertido e a leitura intermediada pelo computador, ipad, Kindle ou tablet, ainda persistirá por muito tempo, pois as adaptações não são imediatas e dependem de condições econômicas de sujeitos e instituições que, não são igualitárias.
A escola foi a segunda entidade a aparecer na lista dos iniciantes de leitura. Esta instituição vem, secularmente, formando mão-de-obra para assumir os cargos oferecidos, primeiramente, nas indústrias da Revolução Industrial, onde o operário necessitaria ser alfabetizado para ler os cartazes e manuais de funcionamento das máquinas que operaria.
Agregando normas e os rigores da disciplina militar, a escola tenta diminuir os conflitos, na medida em que, instala a hierarquia rígida entre suas escalas de comando e abafa tensões detectadas, através da autoridade.
Neste ambiente, o professor segue como detentor exclusivo do conhecimento inibindo e cerceando liberdades e desvios.
Neste cenário, a leitura obrigatória das escolas compromete a criatividade e não permite, aos alunos, extrapolar para inovar.
A inovação é condição indispensável para a criação e o desenvolvimento de técnicas, produtos e processos do mercado.
A literatura deflagra condições e situações variadas que serão um campo frutífero para inovações sociais, porém, a fruição estética é condição prioritária para que se efetive.
A diversidade de literaturas e idéias é defendida pelo bibliotecário Edmir Perrotti (docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), quando diz que: "Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial." Então, o leitor necessita ampliar seus horizontes e conhecer novas realidades e culturas, para adquirir autonomia e criar reflexões aprofundadas onde, ampliando sua visão identificará caminhos para fugir da chamada "Indústria Cultural" definida por Theodor L. W. Adorno (11 set. 1903-06 ago. 1969/ filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão) como aprisionante e ditatorial, pois define caminhos e tendências, fazendo com que o leitor deixe de valorizar a sua própria gama de atividades culturais e identitárias.
Na sociedade grega, a inserção da criança era efetivada de forma integral, ou seja, desde muito cedo as crianças eram incentivadas em seu desenvolvimento físico, intelectual e político.
Elas praticavam habilidades e dons que evidenciariam os seus potenciais, para que tomássem consciência de sua posição no grupo e viéssem a ser cidadãos dinâmicos e participativos.
A leitura deveria ser incentivada e exemplificada pelos pais, já no útero materno, onde através da entonação de voz do adulto, a criança já capte sentimentos literários diferenciados, que será a base para o seu futuro letramento.
A presença feminina na responsabilidade em prover o lar vem aumentando em nossa sociedade atual, isto garante a mulher uma participação mais efetiva na educação dos filhos, por exemplo.
Fato que pode ser comprovado na análise dos relatos feitos em sala, onde dos 30 apresentados como fonte de motivação para o início do gosto pela leitura a família, 13 deles foram indicadas as presenças das mães e das tias como incentivadoras no processo inicial de leitura.
Quando as mães não podem ocupar esta responsabilidade, elas delegam às avós tal empreitada.
A leitura feita por homens e mulheres, no passado, foi bastante modificada, pois, à mulher era permitido fazer leituras concernentes a casa (ou ao lar) e ao homem cabia assuntos relativos ao mundo e às ciências.
A leitura de homens e mulheres, hoje, é bastante diversificada.
No âmbito dos suportes de leitura, as modificações são ainda mais drásticas, pois do papiro para o códex, do manuscrito para a impressão e agora, a leitura em tela digital vão trazendo mudanças no olhar do sujeito leitor.
A relação afetiva com o objeto livro, ainda causa estranhamento ao leitor, quando da visualização e entendimento junto ao suporte digital, principalmente no equilíbrio da utilização dos suportes digitais.
A cada novo hardware ou software apresentado, somos forçados a aprender novas modalidades de habilidades e desenvolver novo conjunto de cognições, com a finalidade de efetivarmos nossas atividades com eficiência.
Segundo o prof. Eugênio Trivinho da PUC-SP, vivemos numa dromocracia, em que a rapidez é mola propulsora de nossas relações com a sociedade em que estamos inseridos e a obsolescência contínua das tecnologias e equipamentos é parte integrante desta engrenagem.
Mas a coexistência pacífica entre a leitura sensorial do livro, objeto colorido, divertido e a leitura intermediada pelo computador, ipad, Kindle ou tablet, ainda persistirá por muito tempo, pois as adaptações não são imediatas e dependem de condições econômicas de sujeitos e instituições que, não são igualitárias.
A escola foi a segunda entidade a aparecer na lista dos iniciantes de leitura. Esta instituição vem, secularmente, formando mão-de-obra para assumir os cargos oferecidos, primeiramente, nas indústrias da Revolução Industrial, onde o operário necessitaria ser alfabetizado para ler os cartazes e manuais de funcionamento das máquinas que operaria.
Agregando normas e os rigores da disciplina militar, a escola tenta diminuir os conflitos, na medida em que, instala a hierarquia rígida entre suas escalas de comando e abafa tensões detectadas, através da autoridade.
Neste ambiente, o professor segue como detentor exclusivo do conhecimento inibindo e cerceando liberdades e desvios.
Neste cenário, a leitura obrigatória das escolas compromete a criatividade e não permite, aos alunos, extrapolar para inovar.
A inovação é condição indispensável para a criação e o desenvolvimento de técnicas, produtos e processos do mercado.
A literatura deflagra condições e situações variadas que serão um campo frutífero para inovações sociais, porém, a fruição estética é condição prioritária para que se efetive.
A diversidade de literaturas e idéias é defendida pelo bibliotecário Edmir Perrotti (docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo), quando diz que: "Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial." Então, o leitor necessita ampliar seus horizontes e conhecer novas realidades e culturas, para adquirir autonomia e criar reflexões aprofundadas onde, ampliando sua visão identificará caminhos para fugir da chamada "Indústria Cultural" definida por Theodor L. W. Adorno (11 set. 1903-06 ago. 1969/ filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão) como aprisionante e ditatorial, pois define caminhos e tendências, fazendo com que o leitor deixe de valorizar a sua própria gama de atividades culturais e identitárias.
domingo, 20 de novembro de 2011
Aula de 17 de agosto de 2011 - Memórias de leituras
Exercício de anamnese em sala: Convergências e divergências nas leituras iniciais dos alunos.

Ahahaha, estas aulas foram o máximo. Uma anamnese é feita para relembrar, como dizia a minha avó, puxar da memória, fatos, que lembramos sobre algum evento ocorrido. Na área médica é quando temos de dizer como e quando se iniciou tal queixa de uma determinada enfermidade que nos acomete.
Aqui, recomendo bastante cautela, daquele profissional que deseja, realmente, conhecer. É uma atividade de escuta aprofundada, não apenas uma anotação superficial, mas um mergulho para compreender e enxergar as entrelinhas daquilo que foi explicitado.
Tais fragmentos vão remontando o que somos e o que queremos.
O exercício da escuta (diagnosticar através da anamnese) é bem propício, inclusive, para o bibliotecário, que deverá possuir sensibilidade suficiente para escutar (não apenas ouvir) qual a necesidade daquele que deseja um documento para ler e conhecer.
Não é habilidade fácil ou inata ao bibliotecário. Deverá ser, paulatinamente, conquistada e aperfeiçoada, pois, segundo o prof. Eugênio Trivinho (PUC-SP), vivemos numa dromocracia (somos cada vez mais governados pela rapidez, pela pressão cotidiana, pelo tempo rápido e passageiro), então como escutar sinceramente? Desafio maior e necessário.
Todos da turma fizeram a sua anamnese. Eu voltei a minha memória para os empréstimos que fazíamos na biblioteca do antiiiiiiigo Banco de Crédito Real de Minas Gerais (incorporado pelo Bradesco). Livros de Monteiro Lobato, os primeiros. Lindos, coloridos, cheios de vida, aventuras e representações de liberdade e reflexões. Tudo o que queríamos na infância, certo? Os caminhos de Pedrinho em suas, tão esperadas férias. Meu pai foi o primeiro grande incentivador de minhas leituras, ele havia lido vários clássicos da literatura mundial, além de filósofos e pensadores. Seu exemplo foi o motor de toda a minha busca intelectual, tanto no passsado, quanto atualmente, reciclagem constante. Ele dizia que "o cérebro não pode parar, tem que ser igual ao coração em atividade constante".
Era um mundo mágico, possível e instigante. Os temas mais variados desfilavam aos meus olhos, ficção, ação, romances como "O guarani" de José de Alencar.
Após, lembrei-me do meu prof. de Português do Colégio Padre Eustáquio (também mudou o rumo da minha história, época de grande acréscimo pessoal e social), o Élcio, um verdadeiro mestre, crítico, reflexivo, paciente, puxa adjetivos de qualidade não faltam, para este professor acima da média. Seu entusiasmo e motivação pela leitura foi um alicerce, que não esquecerei.
Fizemos grupos de 4 integrantes e uma primeira discussão com os colegas, relembrando os primeiros momentos de leitura em nossas vidas. Após, identificaríamos os pontos de convergências e divergências de todos.
Foi muito bacana perceber a influência dos pais, avós, tios, irmãos mais velhos e outros familiares em várias falas dos colegas, este registro foi bastante presente em quase todos os discursos, inclusive no meu, relembrando do meu pai.
As influências, em geral, foram positivas e com o intuito de motivar o início e a continuidade das leituras, porém, houve relatos, onde se verificou a desmotivação frente aos esforços de leitura e o argumento utilizado foi de que, trabalhar seria mais "lucrativo" do que estudar. rsrsrsr. Respeito os pensamentos e contextos diversos.
As leituras iniciais dos alunos, fizeram emergir memórias de grandes nomes da literatura mundial e clássicos atemporais.
Leituras feitas pelos pais e avós, quando ainda nem decifrávamos os signos linguísticos, mas ouvíamos com carinho e entusiasmo as vozes, que nos presenteavam com histórias (ou estórias) enriquecedoras e já nos permitiam trilhar pelos caminhos da representação da leitura do mundo, sem a devida alfabetização, que viriam posteriormente.
Discutimos a leitura obrigatória, feita na escola, de Machado de Assis, por exemplo, pelos jovens de 14 anos; fato ocorrido com um dos alunos e a constatação de que não foi uma experiência agradável, naquela idade específica, pois, não havia maturidade nem discernimento para tamanha empreitada.
A Bíblia como leitura inicial, foi também citada (questão de fé e crença) e a censura a alguns livros ditos "proibidos" para menores, como por exemplo, Jorge Amado (conteúdo sensual) e outros.
A "fogueira santa" fez referência, àquelas obras queimadas com o objetivo de impedir a proliferação pública de seu conteúdo, citado por um aluno e uma prática utilizada por sua mãe, que não queria (ou permitia) tamanho gesto de rebeldia em sua casa, puxa...
Recitar poesia para os irmãos, foi outro início de leitura, comentado por uma aluna e que permitiu, inclusive a aproximação de interesses e afetividades, com a transmissão familiar pelo gosto da leitura.
A quota de leitura exigida na universidade, não nos permite, momentos de deleite em uma literatura criativa, diversa e mais abrangente para questões humanistas, vamos nos especificando em nossa área de conhecimento e nos afastando de textos imaginativos.
Onde então procuraremos apoio para a absorção do substrato capaz de nos fazer inovar?
Ou seremos, tecnicamente, aptos a resolver os problemas cotidianos, sem a possibilidade de extrapolarmos o possível, a fim de criarmos novos processos, produtos e modelos mais sociáveis de acesso, efetivamente, igualitário?
As reflexões após este exercício de anamnese de leituras foram muitas e diversas. Porém, um resumo será feito na próxima aula, juntamente com algumas ponderações da prof. Conceição.
Até a próxima.
Abraços
Adriane
Ahahaha, estas aulas foram o máximo. Uma anamnese é feita para relembrar, como dizia a minha avó, puxar da memória, fatos, que lembramos sobre algum evento ocorrido. Na área médica é quando temos de dizer como e quando se iniciou tal queixa de uma determinada enfermidade que nos acomete.
Aqui, recomendo bastante cautela, daquele profissional que deseja, realmente, conhecer. É uma atividade de escuta aprofundada, não apenas uma anotação superficial, mas um mergulho para compreender e enxergar as entrelinhas daquilo que foi explicitado.
Tais fragmentos vão remontando o que somos e o que queremos.
O exercício da escuta (diagnosticar através da anamnese) é bem propício, inclusive, para o bibliotecário, que deverá possuir sensibilidade suficiente para escutar (não apenas ouvir) qual a necesidade daquele que deseja um documento para ler e conhecer.
Não é habilidade fácil ou inata ao bibliotecário. Deverá ser, paulatinamente, conquistada e aperfeiçoada, pois, segundo o prof. Eugênio Trivinho (PUC-SP), vivemos numa dromocracia (somos cada vez mais governados pela rapidez, pela pressão cotidiana, pelo tempo rápido e passageiro), então como escutar sinceramente? Desafio maior e necessário.
Todos da turma fizeram a sua anamnese. Eu voltei a minha memória para os empréstimos que fazíamos na biblioteca do antiiiiiiigo Banco de Crédito Real de Minas Gerais (incorporado pelo Bradesco). Livros de Monteiro Lobato, os primeiros. Lindos, coloridos, cheios de vida, aventuras e representações de liberdade e reflexões. Tudo o que queríamos na infância, certo? Os caminhos de Pedrinho em suas, tão esperadas férias. Meu pai foi o primeiro grande incentivador de minhas leituras, ele havia lido vários clássicos da literatura mundial, além de filósofos e pensadores. Seu exemplo foi o motor de toda a minha busca intelectual, tanto no passsado, quanto atualmente, reciclagem constante. Ele dizia que "o cérebro não pode parar, tem que ser igual ao coração em atividade constante".
Era um mundo mágico, possível e instigante. Os temas mais variados desfilavam aos meus olhos, ficção, ação, romances como "O guarani" de José de Alencar.
Após, lembrei-me do meu prof. de Português do Colégio Padre Eustáquio (também mudou o rumo da minha história, época de grande acréscimo pessoal e social), o Élcio, um verdadeiro mestre, crítico, reflexivo, paciente, puxa adjetivos de qualidade não faltam, para este professor acima da média. Seu entusiasmo e motivação pela leitura foi um alicerce, que não esquecerei.
Fizemos grupos de 4 integrantes e uma primeira discussão com os colegas, relembrando os primeiros momentos de leitura em nossas vidas. Após, identificaríamos os pontos de convergências e divergências de todos.
Foi muito bacana perceber a influência dos pais, avós, tios, irmãos mais velhos e outros familiares em várias falas dos colegas, este registro foi bastante presente em quase todos os discursos, inclusive no meu, relembrando do meu pai.
As influências, em geral, foram positivas e com o intuito de motivar o início e a continuidade das leituras, porém, houve relatos, onde se verificou a desmotivação frente aos esforços de leitura e o argumento utilizado foi de que, trabalhar seria mais "lucrativo" do que estudar. rsrsrsr. Respeito os pensamentos e contextos diversos.
As leituras iniciais dos alunos, fizeram emergir memórias de grandes nomes da literatura mundial e clássicos atemporais.
Leituras feitas pelos pais e avós, quando ainda nem decifrávamos os signos linguísticos, mas ouvíamos com carinho e entusiasmo as vozes, que nos presenteavam com histórias (ou estórias) enriquecedoras e já nos permitiam trilhar pelos caminhos da representação da leitura do mundo, sem a devida alfabetização, que viriam posteriormente.
Discutimos a leitura obrigatória, feita na escola, de Machado de Assis, por exemplo, pelos jovens de 14 anos; fato ocorrido com um dos alunos e a constatação de que não foi uma experiência agradável, naquela idade específica, pois, não havia maturidade nem discernimento para tamanha empreitada.
A Bíblia como leitura inicial, foi também citada (questão de fé e crença) e a censura a alguns livros ditos "proibidos" para menores, como por exemplo, Jorge Amado (conteúdo sensual) e outros.
A "fogueira santa" fez referência, àquelas obras queimadas com o objetivo de impedir a proliferação pública de seu conteúdo, citado por um aluno e uma prática utilizada por sua mãe, que não queria (ou permitia) tamanho gesto de rebeldia em sua casa, puxa...
Recitar poesia para os irmãos, foi outro início de leitura, comentado por uma aluna e que permitiu, inclusive a aproximação de interesses e afetividades, com a transmissão familiar pelo gosto da leitura.
A quota de leitura exigida na universidade, não nos permite, momentos de deleite em uma literatura criativa, diversa e mais abrangente para questões humanistas, vamos nos especificando em nossa área de conhecimento e nos afastando de textos imaginativos.
Onde então procuraremos apoio para a absorção do substrato capaz de nos fazer inovar?
Ou seremos, tecnicamente, aptos a resolver os problemas cotidianos, sem a possibilidade de extrapolarmos o possível, a fim de criarmos novos processos, produtos e modelos mais sociáveis de acesso, efetivamente, igualitário?
As reflexões após este exercício de anamnese de leituras foram muitas e diversas. Porém, um resumo será feito na próxima aula, juntamente com algumas ponderações da prof. Conceição.
Até a próxima.
Abraços
Adriane
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Cidade e Cultura: programação
Cidade e Cultura: programação: II ENCONTRO "CIDADE E CULTURA: REBATIMENTOS NO ESPAÇO PÚBLICO CONTEMPORÂNEO" DIAS 21 E 22 DE NOVEMBRO DE 2011 CAPES/MinC Programa Pró-cu...
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